Copa do Mundo 2026: sua empresa já definiu como vai lidar com os jogos do Brasil?

A Copa do Mundo mobiliza o país, mas nas empresas, decisões informais podem gerar riscos trabalhistas e insegurança jurídica. Entenda o que a legislação permite e, quais cuidados devem ser adotados.

Por: Redação

A Copa do Mundo de 2026 já movimenta empresas, colaboradores e departamentos de RH em todo o país. E, junto com o clima de celebração, surge uma dúvida recorrente no ambiente corporativo: afinal, a empresa é obrigada a liberar os colaboradores durante os jogos da seleção brasileira?

A resposta é objetiva: não.

Embora o torneio tenha forte impacto cultural e social, não existe previsão legal que determine a paralisação das atividades empresariais durante os jogos da Copa do Mundo. O expediente segue normalmente, inclusive nas partidas realizadas em dias úteis.

A edição de 2026 ocorrerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México.

Até o momento, não há declaração de feriado nacional ou ponto facultativo relacionado aos jogos.

Isso significa que liberar colaboradores é uma decisão da empresa, não uma obrigação legal.

O problema não é liberar. É não planejar.

Muitas empresas optam por flexibilizar horários durante a Copa como estratégia de clima organizacional, integração e engajamento interno. O ponto crítico não está na flexibilização em si, mas na ausência de critérios claros, comunicação prévia e formalização adequada.

Na prática, três situações costumam gerar insegurança jurídica durante o torneio.

Falta sem autorização prévia

Quando não existe política interna definida e o colaborador simplesmente deixa de comparecer ao trabalho para acompanhar a partida, a empresa possui respaldo legal para:

• realizar o desconto do dia
• descontar o DSR correspondente
• aplicar advertência formal, conforme o caso

O problema surge quando a organização não estabeleceu nenhuma diretriz antecipadamente e passa a agir de forma subjetiva ou inconsistente entre equipes e colaboradores.

Regras claras eliminam dúvidas e reduzem conflitos.

Liberação sem formalização

Outro cenário comum é a flexibilização informal do expediente, sem qualquer registro documental.

Empresas autorizam saída antecipada, compensação futura ou alteração de jornada apenas verbalmente, acreditando que a boa relação interna é suficiente para evitar problemas futuros.

Não é.

Sem formalização adequada, a compensação de horas pode ser questionada posteriormente, especialmente em eventual discussão trabalhista.

Boa intenção sem documentação pode gerar passivo.

“Sempre foi assim na Copa”

A informalidade também costuma aparecer em frases como:

“Na empresa sempre liberamos em jogos do Brasil.”

Mas costume não substitui política interna.

A ausência de documento formal fragiliza tanto a empresa quanto a gestão das equipes, especialmente quando há divergência de interpretação entre líderes, setores ou colaboradores.

Um comunicado simples, elaborado antes do início da competição, já é suficiente para:

• alinhar expectativas
• definir critérios
• padronizar procedimentos
• reduzir riscos trabalhistas

Atenção às regras de compensação

Caso a empresa opte pela compensação das horas não trabalhadas, é fundamental observar os requisitos legais aplicáveis e formalizar previamente as condições adotadas.

Entre os principais pontos de atenção estão:

• observância das regras do banco de horas já existente na empresa
• respeito aos limites diários de jornada
• alinhamento entre gestores, RH e colaboradores sobre os critérios aplicáveis

As regras relacionadas ao trabalho noturno permanecem inalteradas e também podem ser objeto de ajuste prévio, desde que respeitados os limites legais.

Checklist estratégico para empresas

Antes do início da Copa, algumas medidas simples podem evitar desgastes futuros:

• definir se haverá flexibilização durante os jogos
• comunicar a decisão com antecedência
• formalizar acordos de compensação por escrito
• orientar gestores sobre registro correto de faltas e jornadas
• alinhar procedimentos internos entre RH e lideranças

Planejamento evita passivos

A Copa do Mundo dura algumas semanas.

Os impactos de uma decisão mal estruturada podem permanecer por muito mais tempo.

Independentemente da solução escolhida, o mais importante é que a empresa trate o tema de forma preventiva, estratégica e documentada.

Cada organização possui uma realidade operacional diferente. Algumas optarão pela manutenção integral das atividades. Outras adotarão flexibilizações pontuais ou modelos de compensação.

Em qualquer cenário, o diálogo interno e a segurança jurídica devem caminhar juntos.

Mais do que liberar ou não liberar, o essencial é garantir clareza, previsibilidade e consistência nas decisões adotadas.

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